terça-feira, 4 de novembro de 2008

Samba no escuro

Eu desabotoo a gola da camisa, como quem destampa a garganta, mas eu não grito.

Estou parada ainda esperando os carros passarem. Desde que decidi não atravessar.

A minha mãe não teve tempo para essas filosofias.

Sempre achei que eu fosse o meio termo. Eu não me destempero, minto bem. Há sempre um meio sorriso para tudo. Coleciono-os. E é sempre o que esperam de mim. Sim eu aceito. Não tem problema pode ser assim. Só uma garota com pouca maquiagem com a bolsa a tira colo. Nem puta nem freira. Só isso. Trevisan não me descreveria num conto.

Não aposto todas as fichas em nada, para não correr o risco de me perder.

Mas hoje eu descobri que pra mim só vale o tudo ou nada. Ou sou feliz ou não. Ou eu dou certo ou eu fracasso. O meio termo vai me matar, o fracasso não. Sou tão boa que aceito meu fardo. Quem outro faria?

Quero mais sem saber o quê. Enquanto os cupins roem eu varro a poeira.

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